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Meu Atlas de
Patologia

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Pigmentações endógenas e exógenas

Pigmentação endógena:

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Hemossiderina:

 

Definição:

É a principal forma de armazenamento intracelular de ferro, formada a partir da degradação da hemoglobina. Apresenta-se como um pigmento granular, de coloração amarelo-dourada a pardo-acastanhada, visível em microscopia óptica.

 

Origem:

Quando há destruição de hemácias (hemorragia ou hemólise), a hemoglobina liberada é degradada por macrófagos. A globina é catabolizada em aminoácidos, o grupo heme libera ferro, que é armazenado na forma de ferritina. Quando há excesso de ferro, forma-se a hemossiderina, visível histologicamente.

 

Distribuição:

  • Localizada: ocorre em áreas de hemorragia, como equimoses. A coloração da pele (roxo → verde → amarelado) reflete a degradação progressiva da hemoglobina até a formação da hemossiderina.

    • Generalizada (hemossiderose): quando há sobrecarga sistêmica de ferro, como em transfusões repetidas, hemólise crônica ou aumento da absorção intestinal.

    • Hemocromatose: forma grave de sobrecarga crônica de ferro, geralmente genética, que leva a fibrose, cirrose hepática, diabetes (“tríade da hemocromatose”: cirrose, diabetes e pigmentação cutânea).

    • Exame histológico:

    • A hemossiderina pode ser demonstrada pela coloração azul da reação de Perls (azul da Prússia), que evidencia ferro.

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Robbins & Cotran: Patologia", a referência seria: KUMAR, V. et al. Robbins & Cotran: Patologia: bases patológicas das doenças. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

Robbins & Cotran: Patologia", a referência seria: KUMAR, V. et al. Robbins & Cotran: Patologia: bases patológicas das doenças. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

Descrição:

Na primeira imagem, nota-se um pigmento granular castanho- dourado, indicando hemossiderina. 

Na segunda imagem, nota-se uma reação do azul de Prússia, mostrando o depósito de ferro. 

Bilirrubina:

 

Definição:

Pigmento amarelo-esverdeado, produto do catabolismo do grupo heme, mas não contém ferro.

 

Origem:

  • Quando os eritrócitos são destruídos, o grupo heme da hemoglobina é convertido em biliverdina e depois em bilirrubina não conjugada (indireta). Essa forma é transportada no sangue ligada à albumina até o fígado, onde é conjugada com ácido glicurônico e excretada pela bile.

 

Patologia:

    • Pré-hepática (hemolítica): excesso de produção devido à destruição de hemácias.

    • Hepática: falha na conjugação ou no metabolismo hepático (hepatites, cirrose, síndrome de Gilbert, Crigler-Najjar).

    • Pós-hepática (obstrutiva): obstrução das vias biliares (cálculos, tumores).

 

O acúmulo de bilirrubina causa icterícia, que pode ser:

  • Manifestações clínicas:

    Coloração amarelada da pele, mucosas e escleras; em casos graves, pode haver prurido, urina escura (bilirrubinúria) e fezes acólicas (sem pigmentos biliares).

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Robbins & Cotran: Patologia", a referência seria: KUMAR, V. et al. Robbins & Cotran: Patologia: bases patológicas das doenças. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

Descrição:

Na lâmina observam-se extensas áreas do parênquima cerebral impregnadas por pigmento amarelado-dourado, característico da bilirrubina, evidenciado principalmente em núcleos da base. Esse achado é típico do kernicterus, decorrente de hiperbilirrubinemia grave no período neonatal, frequentemente associada a hemólise autoimune. Nesse estágio da vida, a barreira hematoencefálica ainda imatura permite a deposição do pigmento no tecido nervoso. Lactentes que sobrevivem a esse quadro geralmente apresentam importantes sequelas neurológicas permanentes.

Pigmento Malárico:

Definição:

Pigmento pardo-escuro, resultante da ação do protozoário Plasmodium sobre a hemoglobina durante o ciclo da malária.

É considerado uma forma de hematina modificada pelo metabolismo do parasita.

Formação:

  • O Plasmodium invade as hemácias e utiliza a hemoglobina como fonte de aminoácidos.

  • O ferro livre, que seria tóxico, é convertido em um pigmento insolúvel e inerte: a hemozoína, também chamada de hematina malárica.

  • Esse pigmento se acumula no baço, fígado, medula óssea e linfonodos dos pacientes com malária crônica.

  • Aspectos clínicos e morfológicos:

    • O acúmulo de pigmento malárico nos macrófagos esplênicos e hepáticos é uma das causas do baço aumentado e escurecido na malária (baço malárico).

    • A coloração é pardo-acinzentada a preta.

    • Ao microscópio, observa-se pigmento granular fino dentro de macrófagos.

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BRASILEIRO-FILHO, Geraldo. Bogliolo – Patologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Descrição: 

Nessa imagem, nota-se o pigmento malárico nas células de Kupffer. 

Hematina: 

A hematina é um pigmento escuro formado a partir da hemoglobina quando esta entra em contato com ácidos fortes, originando a ferriprotoporfirina IX (heme com ferro férrico).

Ela pode surgir de duas formas:

  • Artefato de fixação: quando tecidos são fixados em formol com pH menor que 5, a hemoglobina se transforma em hematina, aparecendo principalmente ao redor de vasos ou áreas hemorrágicas em lâminas histológicas.

  • Endogenamente: em casos de hemólise intensa ou transfusões maciças, a hemoglobina liberada é modificada, podendo formar hematina no interstício, dentro de macrófagos ou até na luz dos túbulos renais.

Ao microscópio, aparece como grânulos negros ou negro-azulados. Em laboratório, também pode ser produzida artificialmente ao tratar hemoglobina com soluções ácidas ou básicas, adquirindo cor acastanhada.

Pigmento esquistossomótico:

Definição:

Pigmento pardo-escuro a negro, derivado da degradação da hemoglobina pelo Schistosoma mansoni, helminto causador da esquistossomose.

Formação:

  • O parasita se alimenta de sangue do hospedeiro e digere parcialmente a hemoglobina.

  • Os resíduos da hemoglobina são convertidos em um pigmento insolúvel.

  • O pigmento é liberado nas fezes do parasita e fagocitado por macrófagos do hospedeiro.

  • Localização:

    • Fígado, baço, linfonodos e mucosa intestinal.

    • Acumulado principalmente em células de Kupffer do fígado.

 

Aspectos clínicos e morfológicos:

  • Contribui para a coloração pardo-escura característica dos órgãos em infecções crônicas.

  • Ao microscópio: grânulos finos, castanho-escuros a negros no citoplasma dos macrófagos.

  • Geralmente associado à fibrose periportal (fibrose de Symmers) na forma hepatoesplênica da doença

 

Importância diagnóstica:

  • Serve como marcador histológico da infecção crônica pelo Schistosoma mansoni.

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Anatpat- UNICAMP

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Anatpat- UNICAMP

Descrição:

Em infestações intensas por esquistossomos, as células de Kupffer tornam-se facilmente visíveis ao microscópio pelo citoplasma escurecido, devido ao acúmulo do pigmento esquistossomótico. Esse pigmento se forma a partir da degradação da hemoglobina ingerida pelos vermes: a digestão libera o heme livre (meta-heme), no qual o ferro é oxidado de Fe²⁺ para Fe³⁺, originando grânulos negros. Essas partículas são fagocitadas pelas células de Kupffer, mas esse depósito não causa efeitos clínicos relevantes.

Melanina:

Definição:

Pigmento endógeno marrom a negro, produzido pelos melanócitos, derivado da tirosina. Sua principal função é proteger a pele e outros tecidos contra radiação ultravioleta (UV).

Formação (Melanogênese):

  • A tirosina é convertida em DOPA e, subsequentemente, em melanina através da enzima tirosinase.

  • A melanina é armazenada em melanossomas dentro dos melanócitos.

  • Os melanossomas são transferidos para os queratinócitos, pigmentando a epiderme.

  • Tipos de melanina:

    • Eumelanina: marrom a negra, responsável pelo escurecimento da pele e cabelos.

    • Feomelanina: amarelada a avermelhada, predominante em cabelos loiros ou ruivos, menos protetora contra UV.

 

Localização:

  • Principalmente na epiderme, mas também em cabelo, retina, ouvido interno e cérebro (substância negra e locus ceruleus).

  • Alterações patológicas:

    • Hiperpigmentação: aumento da melanina ou do número de melanócitos; exemplos:

      • Melanose benigna, nevos melanocíticos, melanoma maligno.

      • Hiperpigmentação difusa ou localizada por estímulos hormonais ou inflamatórios.

    • Hipopigmentação ou ausência: diminuição ou defeito na melanina; exemplos:

      • Vitiligo (perda de melanócitos), albinismo (deficiência enzimática na melanogênese).

 

Aspectos clínicos e morfológicos:

  • A melanina é amarelo-marrom a negra, insolúvel, resistente a solventes ácidos ou alcoólicos.

  • Em biópsias, melanina se evidencia facilmente pelo aspecto granular marron-escuro nos melanócitos ou queratinócitos.

  • Exames especiais: reação de Masson-Fontana para evidenciar melanina.

  • Função biológica:

    • Proteção contra radiação UV, absorvendo radicais livres e prevenindo danos ao DNA.

    • Determina coloração da pele, cabelo e olhos.

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Anatpat- UNICAMP

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Anatpat- UNICAMP

Descrição:

Nas imagens observadas, percebe-se uma expressiva presença de melanina, evidenciada pela coloração marrom-escura a negra. Na primeira imagem, a seta destaca claramente o acúmulo desse pigmento, que se distribui de forma marcante no tecido analisado.

Lipofuscina:

Definição:

Pigmento endógeno amarelo-amarronzado, granular, também chamado de “pigmento do desgaste”. É considerado um marcador de lesão oxidativa crônica e envelhecimento celular.

Formação:

  • Resulta da peroxidação de lipídios de membranas celulares e do acúmulo de proteínas parcialmente degradadas em lisossomos.

  • O processo é característico de estresse oxidativo ou lesão celular leve e prolongada, sem comprometer diretamente a viabilidade da célula.

  • Localização:

    • Principalmente em células pós-mitóticas, como:

      • Coração (miocárdio)

      • Fígado (hepatócitos)

      • Cérebro (neurônios)

    • Também observado em idosos ou em pacientes com caquexia ou atrofia muscular.

 

Aspectos morfológicos:

  • Aparece como grânulos finos, amarelo-amarronzados, dentro de lisossomos citoplasmáticos.

  • Ao microscópio, é granular e insolúvel.

  • Corante especial: não há coloração específica, mas autofluoresce em luz ultravioleta.

  • Alterações patológicas:

    • Acúmulo aumentado pode ocorrer em condições de desnutrição crônica, envelhecimento, doenças neurodegenerativas ou processos de atrofia celular prolongada.

    • Não é prejudicial por si só, mas indica acúmulo de produtos de degradação celular.

 

Função biológica e clínica:

  • Serve como marcador de desgaste e envelhecimento celular.

  • Diferencia-se de pigmentos patológicos como a hemossiderina, porque não contém ferro e não está relacionada a hemorragias.

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BRASILEIRO-FILHO, Geraldo. Bogliolo – Patologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Descrição: 

No citoplasma das fibras musculares cardíacas, observa-se pigmento granular amarelado. Trata-se de lipofuscina, um pigmento endógeno associado ao envelhecimento celular e ao acúmulo de produtos de degradação em lisossomos residuais.

Pigmentação endógena:

Carbono (antracose):

  • Proveniente da poluição ambiental, fumaça de combustíveis fósseis e cigarro.

  • Pequenas partículas inaladas são fagocitadas por macrófagos alveolares, que podem migrar para os linfonodos traqueobrônquicos, acumulando o pigmento.

  • Na maioria dos indivíduos saudáveis, não causa doença, mas em exposições crônicas e intensas pode contribuir para bronquite crônica, fibrose leve e alterações pulmonares.

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BRASILEIRO-FILHO, Geraldo. Bogliolo – Patologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Descrição:

Nota-se na imagem a presença de pigmento negro de carvão depositado no parênquima pulmonar, caracterizando a antracose, geralmente relacionada à inalação crônica de poluentes ou fumaça.

Tatuagem:

  • Introdução intencional de pigmentos artificiais na derme, geralmente em partículas insolúveis.

  • Os pigmentos são fagocitados por macrófagos e permanecem permanentes na pele, podendo migrar lentamente para linfonodos regionais.

  • Não há efeito metabólico ou tóxico na maioria dos casos, mas reações alérgicas ou granulomatosas podem ocorrer em casos raros.

Metais pesados:

  • Chumbo: depósito crônico provoca a linha de Burton, uma pigmentação azul-acinzentada nas gengivas.

  • Prata: exposição crônica causa argiria, coloração difusa azulada da pele, mucosas e conjuntiva ocular.

  • Mercúrio e cobre também podem gerar pigmentações específicas em casos de exposição crônica.

Referências:

ANATPAT- UNICAMP

​BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Bogliolo Patologia Geral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Robbins patologia básica. 9ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

© 2022 by Paulo Santos. 

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